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Mastigar parece uma atividade tão automática que muitas vezes só percebemos sua importância quando alguma coisa começa a dificultá-la.
Uma dor de dente, a perda de alguns dentes, uma prótese desconfortável ou uma alteração na articulação da mandíbula podem transformar uma refeição simples em uma experiência cansativa.
A mastigação, porém, vai muito além de triturar os alimentos, ela é importante para a qualidade de vida. Ela participa do início da digestão, facilita a alimentação e está relacionada à capacidade de escolher diferentes tipos de alimentos.
Quando essa função fica prejudicada, a pessoa pode começar a evitar determinados alimentos, modificar sua alimentação e até reduzir situações sociais que envolvem refeições.
Pesquisas recentes reforçam essa relação. Uma revisão sistemática publicada em 2025, que reuniu estudos com mais de 111 mil participantes de 18 países, encontrou associação entre dificuldade para mastigar e pior qualidade de vida relacionada à saúde em adultos mais velhos.
No OdontoSaúde 40+, entender essa relação é importante porque preservar a capacidade de mastigar significa também cuidar da autonomia, da alimentação e do bem-estar ao longo da maturidade.
O que acontece durante a mastigação?

A mastigação envolve uma ação coordenada entre dentes, músculos, mandíbula, língua, bochechas e saliva.
Os dentes cortam e trituram os alimentos enquanto a mandíbula realiza movimentos coordenados. A língua ajuda a posicionar o alimento e participa da formação do bolo alimentar, que posteriormente será engolido.
A saliva também desempenha uma função importante. Ela umedece os alimentos e contribui para tornar a mastigação e a deglutição mais fáceis.
Por isso, uma boa capacidade mastigatória depende de vários componentes funcionando adequadamente.
Quando existe dor, perda dentária, prótese mal adaptada ou outro problema bucal, essa coordenação pode ser prejudicada.
Por que a mastigação é tão importante depois dos 40?

No contexto do OdontoSaúde 40+, preservar a mastigação significa pensar na saúde bucal de forma funcional, e não apenas estética.
Ao longo dos anos, uma pessoa pode acumular restaurações, apresentar desgaste dentário, retração gengival, perda de dentes ou alterações na articulação temporomandibular. Esses problemas não necessariamente aparecem juntos, mas podem interferir na capacidade de mastigar.
Uma revisão sistemática publicada no The Gerontologist encontrou associação entre melhor qualidade de vida relacionada à saúde bucal e fatores como maior número de dentes, mais contatos funcionais entre os dentes e melhor capacidade mastigatória. A revisão também encontrou associação negativa entre dificuldade para mastigar e qualidade de vida.
Isso ajuda a explicar por que preservar dentes funcionais é tão importante.
Mastigação e alimentação estão diretamente relacionadas
Quando mastigar determinados alimentos se torna difícil, algumas pessoas naturalmente começam a evitá-los.
Alimentos mais firmes, fibrosos ou difíceis de triturar podem ser substituídos por opções mais macias. Em determinadas situações, isso pode reduzir a variedade da alimentação.
Uma revisão sistemática e meta-análise sobre nutrição e qualidade de vida relacionada à saúde bucal em adultos mais velhos reforça a existência de uma relação importante entre esses dois aspectos.
Isso não significa que toda pessoa com dificuldade de mastigação desenvolverá deficiência nutricional. A alimentação de cada indivíduo depende de muitos fatores.
Mas a dificuldade persistente para mastigar merece atenção justamente porque pode modificar escolhas alimentares e afetar o prazer de comer.
Perder dentes pode afetar a capacidade de mastigar

A perda de dentes pode alterar a forma como os alimentos são triturados.
Os dentes não funcionam de maneira isolada. Eles trabalham em conjunto, e a posição e distribuição dos dentes restantes podem influenciar a eficiência mastigatória.
Uma revisão sobre unidades dentárias funcionais encontrou relação entre a capacidade de mastigar e o número e a distribuição dos dentes remanescentes.
Por isso, quando um dente é perdido, o ideal é conversar com um dentista para avaliar as possibilidades de reabilitação.
Dependendo da situação, podem existir diferentes alternativas, como próteses ou implantes, mas a escolha deve considerar as condições clínicas, necessidades e expectativas de cada pessoa.
Mastigar não deve causar dor

Uma das informações mais importantes para o OdontoSaúde 40+ é que dor durante a mastigação não deve ser tratada como algo normal do envelhecimento.
Dor ao mastigar pode estar relacionada a diferentes situações, como:
- Cárie;
- Fratura dentária;
- Inflamação;
- Problemas periodontais;
- Sensibilidade;
- Alterações na articulação temporomandibular;
- Próteses inadequadas;
- Outros problemas que precisam de avaliação profissional.
Algumas pessoas desenvolvem o hábito de mastigar somente de um lado para evitar determinada região dolorida.
Embora isso possa parecer uma solução momentânea, não resolve necessariamente a causa do problema.
Se existe dor persistente, é importante procurar avaliação odontológica.
A mastigação também envolve os músculos da mandíbula
Mastigar exige trabalho muscular.
Os músculos responsáveis pelos movimentos da mandíbula precisam atuar de maneira coordenada para cortar e triturar os alimentos.
Quando existe tensão excessiva, apertamento dos dentes ou alterações na articulação temporomandibular, algumas pessoas podem apresentar dor ou desconforto na região da mandíbula.
Sintomas como dor ao abrir a boca, dificuldade para movimentar a mandíbula, estalos associados a dor ou sensação de cansaço muscular merecem avaliação.
Não é recomendável tentar “fortalecer” a mandíbula por conta própria realizando exercícios intensos ou mastigando objetos duros.
A abordagem adequada depende da causa do problema.
Prótese dentária precisa estar confortável

Para quem utiliza prótese removível, a adaptação é especialmente importante.
Uma prótese que se movimenta durante a mastigação, provoca feridas ou causa desconforto pode dificultar a alimentação.
Algumas pessoas continuam usando uma prótese antiga mesmo quando ela já não apresenta a mesma adaptação de antes.
Isso pode acontecer porque a pessoa se acostumou com o dispositivo ou porque acredita que desconfortos fazem parte do processo.
Mas uma prótese não deve ser simplesmente tolerada quando causa dor ou interfere na alimentação.
O dentista pode avaliar sua adaptação e verificar se é necessário realizar ajustes, manutenção ou substituição.
Mastigação e prazer de comer
Comer também é uma experiência social e emocional.
Almoços em família, encontros com amigos, comemorações e outras ocasiões frequentemente envolvem alimentos.
Quando uma pessoa tem dificuldade para mastigar, pode começar a evitar determinados pratos ou situações em que precise comer fora de casa.
Uma revisão sobre saúde bucal e qualidade de vida em pessoas mais velhas destaca que problemas de saúde bucal podem comprometer dimensões físicas, psicológicas e sociais da vida cotidiana.
Portanto, cuidar da mastigação também significa preservar a liberdade de participar desses momentos com mais conforto.
O que fazer para preservar uma boa mastigação?
A melhor estratégia é cuidar da saúde bucal antes que apareçam grandes limitações.
No OdontoSaúde 40+, algumas atitudes merecem destaque.
Mantenha os dentes naturais sempre que possível
A prevenção de cáries e doenças gengivais ajuda a preservar os dentes por mais tempo.
Isso envolve higiene adequada, uso de creme dental fluoretado e acompanhamento odontológico.
Não ignore pequenos desconfortos
Uma sensibilidade que aparece repetidamente, uma dor ao mastigar ou uma alteração na mordida merece atenção.
Quanto antes a causa for investigada, maior a possibilidade de evitar que o problema evolua.
Cuide das gengivas
Gengivas inflamadas ou com doença periodontal podem comprometer os tecidos que sustentam os dentes.
Sangramento frequente durante a higiene não deve ser simplesmente considerado normal.
Faça manutenção das próteses
Quem utiliza prótese deve seguir as orientações de higiene e retornar ao dentista quando perceber instabilidade, dor ou dificuldade para mastigar.
Evite hábitos que sobrecarreguem os dentes
Roer objetos, morder materiais muito duros ou utilizar os dentes para abrir embalagens pode provocar fraturas.
Mantenha uma alimentação equilibrada
Uma alimentação variada contribui para a saúde geral e deve ser adaptada quando existe alguma dificuldade de mastigação.
Existe uma quantidade ideal de vezes para mastigar?
Não existe uma quantidade universal de mastigadas que precise ser seguida em todas as refeições.
A capacidade mastigatória varia de pessoa para pessoa e depende do tipo de alimento, dentes, próteses, músculos, saliva e outras condições.
Em vez de contar mastigadas, é mais útil prestar atenção ao conforto durante a alimentação.
Comer sem pressa também pode ajudar a perceber melhor a textura dos alimentos e o momento em que eles estão adequadamente preparados para serem engolidos.
Quando a dificuldade para mastigar merece investigação?
Uma dificuldade ocasional diante de um alimento muito duro não significa necessariamente que exista um problema.
Entretanto, quando a pessoa percebe uma mudança persistente, é importante investigar.
Procure um dentista se você perceber:
- Dor frequente ao mastigar;
- Dificuldade para triturar determinados alimentos;
- Perda recente de dentes;
- Dentes quebrados ou fraturados;
- Prótese que se movimenta;
- Feridas provocadas pela prótese;
- Dor ou cansaço na mandíbula;
- Mudança repentina na mordida;
- Necessidade de mastigar sempre de um único lado;
- Evitação de determinados alimentos por dificuldade para mastigá-los.
Esses sinais não significam necessariamente que exista uma doença específica. Eles apenas indicam que uma avaliação profissional pode ser importante.
Mastigação e envelhecimento saudável

Quando pensamos em envelhecimento saudável, normalmente lembramos de atividade física, alimentação equilibrada, sono e acompanhamento médico.
A saúde bucal também precisa fazer parte dessa conversa.
Uma pessoa que consegue mastigar confortavelmente tende a ter mais liberdade para escolher alimentos e participar de refeições. Por outro lado, dificuldades mastigatórias podem estar associadas a limitações funcionais e pior qualidade de vida.
Estudos científicos mostram uma associação consistente entre capacidade mastigatória, condição dentária e qualidade de vida em adultos mais velhos. Uma revisão de 2025 identificou a dificuldade mastigatória como um dos fatores relacionados a pior qualidade de vida relacionada à saúde.
Isso não significa que a mastigação seja a única responsável pela qualidade de vida. Saúde física, condições econômicas, relações sociais, saúde mental, alimentação e diversos outros fatores também desempenham papéis importantes.
A questão é reconhecer que a função mastigatória faz parte desse conjunto.
Como transformar a mastigação em uma prioridade de prevenção
Uma boa estratégia para quem está acima dos 40 anos é não esperar a perda significativa da função para começar a cuidar dela.
Faça consultas odontológicas regulares, mantenha uma boa higiene, cuide das gengivas e procure atendimento quando perceber alterações.
Se já existem dentes ausentes, próteses antigas ou dificuldade para mastigar, vale conversar com o dentista sobre as possibilidades de reabilitação.
O objetivo não precisa ser simplesmente ter dentes visualmente bonitos.
É preservar uma boca funcional, confortável e capaz de participar das atividades cotidianas.
Conclusão
Mastigar é uma função essencial que muitas vezes passa despercebida até começar a apresentar dificuldades. A capacidade mastigatória está relacionada à condição dos dentes, gengivas, músculos, mandíbula, saliva e próteses.
Quando esses elementos funcionam adequadamente, a alimentação tende a ser mais confortável e a pessoa pode ter maior liberdade para escolher seus alimentos e participar de momentos sociais.
Depois dos 40, esse cuidado ganha ainda mais importância porque a prevenção pode ajudar a preservar a função bucal durante o envelhecimento.
O OdontoSaúde 40+ reforça uma ideia simples: cuidar dos dentes não significa apenas preservar o sorriso. Significa também preservar a capacidade de comer, conversar, socializar e aproveitar a vida com conforto.
Se você percebe que está evitando alimentos porque não consegue mastigá-los bem, sente dor durante as refeições ou precisa usar sempre o mesmo lado da boca, não considere isso simplesmente uma consequência da idade.
Uma avaliação odontológica pode ajudar a identificar a causa e orientar os cuidados necessários.
Referências importantes
PubMed/Journal of Dentistry — revisão sistemática de 2025 sobre saúde bucal, dificuldade de mastigação e qualidade de vida em adultos mais velhos.
PubMed/The Gerontologist — revisão sistemática sobre fatores de saúde bucal associados à qualidade de vida de pessoas mais velhas.
PubMed — estudo sobre capacidade mastigatória e qualidade de vida relacionada à saúde em pessoas com 65 anos ou mais.
PubMed — revisão sobre a relação entre dentes funcionais e capacidade mastigatória em adultos mais velhos.
PubMed — revisão sobre saúde bucal, fragilidade e qualidade de vida em pessoas mais velhas.
Aviso médico e odontológico
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Ele não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento realizado por dentista, médico ou outro profissional de saúde qualificado. Em caso de dor, dificuldade persistente para mastigar, perda dentária, problemas com próteses ou alterações na mandíbula, procure avaliação profissional.






